Qual opinião você manteve por um tempo e depois mudou radicalmente?
Que a religião é uma coisa ruim, no geral. Obviamente, a religião pode ser, e frequentemente é, uma coisa ruim que faz mais mal do que bem. Mas o que ficou claro para mim é que nós somos uma espécie religiosa, e ponto final.
As instituições religiosas de hoje certamente são falhas, mas são bem melhores do que já foram. Além do mais, não acho que elas sejam intrinsicamente piores que outras instituições que dividam o mesmo espaço na sociedade (instituições políticas, por exemplo).
No momento, não parece que sejamos uma espécie pronta para o ateísmo. Até que as coisas mudem, as religiões tradicionais são provavelmente mais úteis do que prejudiciais. Essa é a minha opinião macro.
Minha opinião pessoal sobre o assunto é um pouco mais caótica.
Eu fui criado como católico. Fui batizado, fiz catequese.
Eventualmente, quando comecei a questionar a fé, fui em direção ao agnosticismo e, depois, ao ateísmo.
Li muito sobre o assunto. Decorei Dawkins. Abracei a causa. Fui membro da ATEA. Perdi centenas de horas debatendo com desconhecidos no mirc e orkut. Até que, um dia, eu cansei. Desde então, esse é um assunto que me dá muita preguiça.
Eu cansei de ser o cara sofrível que diz “Mmmm, olá, não acredito nos amigos imaginários de outras pessoas, erm, ahem, há uma coisinha chamada ciência…”. Me faltava a amplitude de reconhecer que eu apenas estava sendo um outro tipo de idiota.
Ninguém merece um prêmio por descobrir que o Papai Noel não cabe na chaminé.
A mitologia nada mais é que uma (tentativa) de reconciliação do infinito com o finito, uma ferramenta para navegar essa tormenta criada por consciência de nossa própria mortalidade.
Se “acreditar em Deus” é Coca-Cola e “não acreditar em Deus” é Pepsi, então é o xarope de milho que os une, entende?
What I missed at the time is that “atheist” isn’t something. It’s just “not something.” By declaring myself an atheist and calling it a day, I was basing my whole spiritual identity on what I wasn’t. Yes, I’m an atheist, but I’m also not from Uganda. If someone asked me where I’m from, answering “Not Uganda” would be unhelpful. Likewise, if my only spiritual identity is, “I don’t believe in the divine components of the world’s large, ancient religions,” that makes me a spiritual nothing.
At the time, of course, I saw no problem with being a spiritual nothing. Spirituality was for religious people, and I was a science guy, so who cared anyway?
What I didn’t realize is that I had inadvertently flushed down the toilet a critical part of the human growth experience.
A “escolha” entre uma vida religiosa e uma vida científica é uma falsa dicotomia. Você só escolhe qual parâmetro vai limitar sua vida. Algo vai ditar seu entendimento, seja a matemática ou o papa.
Mas, e se você não precisa escolher? Você teria permissão para definir o certo e o errado, permissão para desenhar seu próprio mapa do cosmos.
Então, quando me perguntam se eu gosto de xarope de milho, eu respondo que eu prefiro água. Mas você beba o que quiser.